Consolo e Conforto
O consolo que Deus nos dá vai muito além do simples apoio moral quando estamos tristes e abatidos, pois é plenamente eficaz não somente renovando nossa esperança, fornecendo-nos alívio e paz reais, e suprindo nossas necessidades tanto materiais, quanto espirituais.
O maior de todos os consolos Ele já nos tem suprido ao nos ter dado a Jesus para ser o nosso Salvador e o Espírito Santo para ser o nosso Consolador.
Mas podemos contar com as suas consolações em meio a todas as tribulações que tivermos que enfrentar neste mundo, pois nos tem prometido livrar-nos de todo estado de aflição de alma se tão somente clamarmos pelo Seu nome.
É interessante observar que a mesma palavra hebraica nacham no texto do Velho Testamento, tanto é usada para confortar, quanto para se arrepender, e podemos entender com isto que há no ato de confortar uma mudança de direção, notadamente no que se refere a Deus, pois, ao nos confortar, Ele se desvia dos juízos que intentava ou que estava trazendo sobre nós por causa dos nossos pecados.
Sentíamos tristeza pela correção de Deus, mas quando nos arrependemos e nos humilhamos sob a Sua potente mão, Ele remove a aflição e nos conforta, como um pai que volta a afagar o filho depois de tê-lo corrigido.
Deus sempre consolará aqueles que se entristecerem e chorarem por causa do pecado, como vemos Jesus afirmando no Sermão do Monte que bem-aventurados são os que choram porque serão consolados.
Jesus é o consolador por excelência porque ninguém sofreu mais do que Ele a dor sob o ataque tanto de pecadores quanto dos espíritos das trevas, em sua humilhação neste mundo. Então pode socorrer com eficácia os que sofrem, sabendo por experiência própria o quanto necessitamos de conforto, assim como Ele também foi confortado pelo Pai e pelos anjos em seus sofrimentos.
Nós também aprendemos a ser consoladores de outros quando passamos pelas experiências de sofrimento acompanhadas das consolações que nós mesmos recebemos da parte de Deus.
Em Jesus aprendemos a ter um espirito de simpatia e compaixão pelos que sofrem, especialmente quando estes estão sofrendo por causa do seu amor ao evangelho.
Assim como são muitas as aflições que sofremos neste mundo de igual modo abundam as consolações que recebemos da parte de Deus para que não fiquemos paralisados e desanimados.
Bendito seja o seu grande nome pois não nos deixa desamparados em nossos sofrimentos, e nem sem correção quando dela necessitamos, pois somos corrigidos para sermos participantes da sua santidade.
Consolação Que Cura, Alivia e Dá Esperança
Que sejamos, nas mãos de Deus, instrumento de consolação, para aqueles que necessitam de conforto.
E que esta consolação não seja apenas de palavras de apoio e de conforto, mas acompanhadas pelo poder operante do Espírito Santo nas mentes e nos corações.
Não uma consolação passageira, que tal como a nuvem agora é, e de repente não mais existe, mas com a única consolação que é efetiva e duradoura, que é achada no próprio Senhor Jesus Cristo, juntamente com o testemunho das Escrituras, como vemos, por exemplo, em textos como o de Romanos 15.4:
“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.”
Veja que se diz do que foi escrito desde há muito tempo para o nosso ensino, ou seja, esta verdade não é algo novo, inventado pela imaginação dos homens.
Também se diz que tem o propósito de acharmos a paciência e a consolação destas Escrituras Sagradas, para que tenhamos esperança.
Na Bíblia encontramos tudo o que é necessário para fortalecer o coração que se encontra abatido, pois ali achamos o registro dos grandes feitos miraculosos de Deus, a revelação da Sua misericórdia e dos Seus juízos.
Quando vemos quão grande, poderoso e amoroso é o Deus que servimos, então achamos paz e descanso para as nossas mentes e corações.
No texto de II Tessalonicenses 2.16 lemos que é o próprio Deus quem nos deu uma consolação eterna e uma boa esperança, pela graça.
“Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça,” (II Tes 2.16)
Não é nenhum anjo ou homem que nos dá tal consolação e esperança, senão o próprio Deus.
É achando a Cristo, convertendo-se a Ele, e andando com Ele e dando honra aos Seus mandamentos conforme estão revelados na Bíblia, que se acha também a verdadeira consolação e esperança, não somente para os momentos difíceis de nossas vidas, mas para todas as horas e para a eternidade.
Veja que o texto de II Tes 2.16 diz eterna consolação.
Uma tal consolação só pode ser achada num Consolador Eterno, a saber, em Deus mesmo.
Por isso nosso Senhor Jesus Cristo, o grande e primeiro Consolador que nos foi dado por Deus Pai, nos enviou outro Consolador, depois que subiu ressuscitado ao céu, e este outro Consolador é o Espírito Santo.
Assim, os que estão se sentindo fracos e abatidos, que possam ter suas forças renovadas, se fortificando na graça que está em nosso Senhor Jesus Cristo.
Que clamem a Deus nas horas de aflição, para que achem o conforto e a força, que procedem dEle, especialmente para suportarem as dores e injustiças que todos padecemos neste mundo.
É possível louvar ao Senhor e estar alegre em meio às aflições, porque o poder do Espírito Santo nos concede tal graça, para a glória e louvor de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso a tão grande consolação.
Ele é o Único e Grande e Infalível Consolador.
“Deus que consola os que estão abatidos." ( 2 Coríntios 7.6)
E quem consola como ele?
Vá a algum pobre, melancólico, e angustiado filho de Deus, diga-lhe doces promessas, e sussurre em seu ouvido palavras de conforto escolhidas, ele é como um surdo, que não pode ouvir a palavra de consolo. Ele está bebendo veneno e fel, e consolá-lo, do modo que você pode, vai ser apenas uma ou duas notas de triste resignação que você vai propor a ele, você não lhe trará, ao interior de sua alma, nenhum salmo de louvor, nenhum aleluia, nenhum soneto alegre. Mas deixe Deus vir a seu filho, que ele levante o seu rosto e os olhos do enlutado brilham com esperança. Você vai ouvi-lo cantar:
“Isto é o paraíso, se tu estiveres aqui,
se tu te fores, é o inferno!”
Você não poderia animá-lo, mas o Senhor tem feito isso: "Ele é o Deus de toda consolação." Não há bálsamo em Gileade, mas há bálsamo em Deus. Não há nenhum médico que possa produzir a cura entre as criaturas, mas o Criador é Jeová-Rafá.
É maravilhoso como uma doce palavra de Deus vai produzir todas as canções para os cristãos. Uma palavra de Deus é como um pedaço de ouro, e os cristãos são batedores de ouro, e podem martelar essa promessa por semanas inteiras. Assim, então, pobre cristão, tu não necessitas se sentar em desespero. Vá ao Consolador, e peça-lhe para te dar consolo. Tu és um pobre poço seco. Você já ouviu dizer que, quando uma bomba está seca, você deve derramar um pouco de água em primeiro lugar, e então você terá água, e assim, Cristão, quando estiveres seco, vá a Deus, pedir-lhe para derramar sua alegria no teu coração, e então a tua alegria será completa. Não vá para as amizades terrenas, pois você vai encontrar nelas os consoladores de Jó; mas vá em primeiro lugar ao teu "Deus, que consola os abatidos", e em breve você dirá: "Na multidão dos meus pensamentos interiores as tuas consolações recreiam a minha alma."
Nota do tradutor: Tenho experimentado em minha vida a verdade destas palavras, especialmente quando passei por um câncer e um infarto do miocárdio, e por diversas tribulações de todo o tipo neste mundo. E o mesmo Deus que me consolou no passado tem sido a minha força e alegria ainda nas tribulações presentes, e sei que sempre estará comigo nas futuras, até que vá ter com ele na glória do céu. E sei que isto não é um privilégio exclusivo para mim ou para poucos, mas para todos aqueles que esperam no Senhor, aguardando por seu socorro, livramento, consolo e misericórdia.
Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, de um texto de Charles Haddon Spurgeon, em domínio público.
Confiança em Deus, Uma Fonte de Consolo
“porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia.” (2 Tim 1.2b)
O homem nasce para a tribulação, e isso é da maior importância para ele saber disto, para que saiba para onde deve recorrer no dia da adversidade. O Evangelho nos dirige para sermos reconciliados com Deus em Cristo Jesus, que tem se compromissado em ser o nosso apoio e conforto em todas as nossas aflições.
O cristão tem muitas provações peculiares, mas o Evangelho é totalmente adequado às suas necessidades. Seu poder para apoiá-lo pode ser visto na passagem diante de nós.
Paulo está exortando Timóteo à firmeza na causa de Cristo; e, para seu encorajamento, ele lhe diz o que foi o fundamento de suas próprias consolações sob as aflições pesadas que agora ele estava sofrendo por causa de Cristo. Ele lhe diz, que, não obstante ele estivesse encarcerado em um calabouço, e na expectativa diária de uma violenta e cruel morte, ele não estava nem envergonhado, nem temeroso; por que tinha uma firme persuasão da capacidade de Deus para guardá-lo; e que esta persuasão lhe havia dado amplo suporte.
Para ilustrar o texto, podemos observar:
I. O cristão encomenda sua alma a Deus.
O apóstolo, sem dúvida, confiou a Deus os assuntos relativos à Igreja: mas é mais exatamente de sua alma que ele está falando com as palavras diante de nós. Da mesma maneira, todo cristão confia a sua alma a Deus.
Nós sabemos o que é confiar uma grande soma de dinheiro aos cuidados de um banqueiro; e daí podemos alcançar uma justa noção da conduta do cristão. Ele tem uma alma que é de muito maior valor do que o mundo inteiro, e ele sente uma grande ansiedade que deve ser preservado de forma segura "para aquele dia", quando Deus julgará o mundo. Mas, a quem ele deve confiar a sua alma? Ele não conhece nada senão apenas Deus, que pode guardá-lo, e por isso ele vai a Deus, e solenemente confia a sua alma em suas mãos, pedindo-lhe para colocar em ordem todas as suas preocupações, e, de que qualquer forma ele cuidará melhor dela, para ajustá-la para a glória.
Para isso, ele é solicitado a fazer múltiplas considerações.
Ele reflete sobre a queda do homem no Paraíso, e diz: Adão, quando perfeito, e possuidor de tudo o que podia desejar, tornou-se uma presa pelo tentador, quando a felicidade de toda a sua posteridade, bem como a sua própria, dependia de sua firmeza; e pode uma criatura tão corrupta como eu, rodeado como eu sou por inúmeras tentações, ter a esperança de me manter firme contra meu grande adversário? Ó meu Deus, não me deixe nem por um momento me perder; mas toma conta de mim, e deixe "a minha vida ser escondida com Cristo em Deus", então, e só então, posso esperar, que na segunda vinda do meu Senhor eu vou aparecer com ele em glória.
Ele tem em mente também a sua própria fraqueza e ignorância. Ele está consciente de que ele não tem em si uma suficiência até mesmo para ter um bom pensamento, e que não está nele poder dirigir seu caminho corretamente. Daí ele deseja se valer da sabedoria e do poder de Deus, e clama: "Leva-me no caminho certo, por causa dos meus inimigos."; "Segura-me tu e então eu serei salvo."
Mas, mais especialmente ele considera os comandos da graça de Deus. Deus não somente permitiu, mas ordenou, esta entrega de nossas almas a ele, I Pe 4.19. Ó que privilégio tem o cristão por poder obedecer a essa ordem divina! Como ele é grato por ter Deus se dignado a aceitar este depósito, e tomar cuidado dele com esta sua obrigação! Por isso, ele aproveita este privilégio, e diz: "Esconde-me à sombra das tuas asas!", "Oh salva-me por tua misericórdia!"
Enquanto ele age desta maneira,
II. Ele está convencido da capacidade de Deus para guardá-lo.
Ele não se limita a presumir a suficiência de Deus: ele está bem persuadido disto,
1. A partir do relatório dos outros,
Ele é informado pelos escritores inspirados da Bíblia, que Deus criou o mundo a partir do nada, e que ele defende e ordena cada coisa criada, de modo que nem um pardal cai no chão sem a sua autorização expressa. Daí então, ele argumenta: Deus criou minha alma, e ele não pode guardá-la? Será que ele criou meus inimigos também, e ele não pode contê-los? Ele tem contados até os cabelos da minha cabeça, e ele vai ignorar as preocupações da minha alma?
Ele é informado que Deus está sempre em busca de oportunidades, não somente para exercer, mas também para ampliar, o seu poder na causa do seu povo.
Deveria toda esta vigilância, então, ser exercida em vão? ou deveria qualquer coisa ser capaz de prevalecer contra ele?
Ele está seguro também que Deus ainda não perdeu a qualquer daqueles com os quais ele se compromissou a guardar: ele nunca deixou "um de seus pequeninos perecer”, Mt 18.14; Jo 10.28,29; “Ninguém jamais foi arrancado de sua mão"; Não, ao menor dos grãos de trigo, embora agitado na peneira das aflições, nunca foi permitido cair sobre a terra. As portas do inferno nunca serão capazes de prevalecer contra a sua Igreja.
Então, o cristão diz: "Eu vou confiar, e não terei medo." Meu Salvador, nos dias de sua carne, não perdeu a nenhum daqueles que lhe foram dados pelo Pai, e a quem ele amava, ele amou até ao fim, João 13.1, e, portanto, estou certo de que ele vai conduzir a bom termo o que me concerne, e completar em mim a boa obra que ele tem iniciado.”
2 . A partir de sua própria experiência,
O cristão se lembra bem do que ele era por natureza; e sabe por experiência diária o que ele ainda seria, se a Onipotência não fosse exercida em seu apoio. E, portanto, ele argumenta, assim: tem Deus me criado de novo, e por um invisível, mas infinito poder, a influência virou a maré de minhas afeições, de modo que agora elas correm para cima para a fonte de onde surgiram, e ele não pode me impedir de voltar? Tem ele me guardado por muitos anos, como a sarça ardente, por assim dizer, com a chama de minhas corrupções, ainda não consumidas por ele, e qualquer coisa pode ser muito difícil para ele?
Estes argumentos são de fato de nenhum peso para a convicção de outros, mas para o cristão eles são uma fonte de forte convicção, e da mais rica consolação.
Mais do que qualquer outro, ele está habilitado a dizer: "Eu sei em quem tenho crido."
Além disso,
III. Esta persuasão é um forte apoio para ele em todas as suas provações,
Muitas são as dificuldades da guerra do cristão, mas a sua persuasão da capacidade de Deus para guardá-lo,
1 . O encoraja ao dever.
O caminho do dever é, por vezes, muito difícil e muitos já desmaiaram no mesmo, ou foram desviados dele. mas nós podemos ver nos jovens hebreus que a persuasão do poder de Deus terá efeito. Eles enfrentaram a fornalha acesa, a partir da consideração que Deus poderia livrá-los, ou de lhes apoiar no meio dela, Dn 3.17,18. E, assim, todo cristão se encoraja em Deus, e se fortalece no Senhor e na força do seu poder.
2. O fortalece para a batalha.
Sob tentações de Satanás, ou da ocultação da face de Deus, o cristão mais experiente iria afundar, se ele não fosse amparado por esta esperança: "Eu teria desmaiado", diz Davi, "a menos que eu tivesse crido verdadeiramente em ver a bondade do Senhor na terra dos viventes." Mas o pensamento de que a graça de Cristo era suficiente para ele, transformaria todas as suas tristezas em alegria; ele iria repreender o espírito abatido, Sl 42.11, e voltar novamente para a batalha, sabendo que afinal, ele seria mais que vencedor por meio daquele que o amava.
3. Lhe capacita a suportar sofrimentos.
Muitos e grandes eram os sofrimentos de Paulo, no entanto, ele diz: "Porém em nada considero a minha vida preciosa para mim mesmo." Assim, cada cristão deve "passar por muitas tribulações no caminho para o reino," mas ele aprende, não somente a suportar, mas a se "gloriar na tribulação", porque lhe dá uma experiência mais ampla do poder e da graça de Deus, e, assim, confirma a sua esperança, que nunca deve envergonhá-lo.
4. Lhe assegura a vitória final.
Aqueles que não têm visões de Deus são deixados em doloroso suspense, mas aqueles que sabem em quem eles têm crido, são tão certos da vitória, como se todos os seus inimigos estivessem mortos a seus pés.
Vamos melhorar ainda mais o assunto,
1. Por convicção,
Todas as pessoas estão prontas a pensar que elas são dotadas da fé verdadeira e salvadora. Mas a fé não é um mero parecer favorável às verdades do Evangelho, ou até mesmo uma aprovação delas. Ela inclui três coisas: o confiar a alma a Cristo; uma persuasão de sua capacidade para nos salvar; e uma determinação para avançar na dependência dele, fazendo e sofrendo o que for a que sejamos chamados no caminho do dever.
Temos essa fé?
2. Para consolo.
Se houver alguém entre nós fraco e abatido, deixem-no voltar seus olhos para Deus como seu amigo Todo-Poderoso. Deixem-no saber que “Ele é capaz para mantê-lo de pé"; "ele é capaz de fazer toda a graça abundar em direção a ele, para que, tendo sempre toda a suficiência em todas as coisas, abunde em toda boa obra.", 2 Cor 9.8. É o próprio Deus que sugere à alma desmaiada estas mesmas considerações, e ele não exige nada, mas que esperemos nele, a fim de que possamos experimentar a sua verdade e eficácia.
"Ora, àquele que é poderoso para nos impedir de cair, e nos apresentar irrepreensíveis diante da presença de sua glória com júbilo, a Ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém."
Se este fosse o tema de um sermão fúnebre, as excelências do falecido poderiam ser aqui enumeradas, e os sobreviventes serão confortados pela consideração de que SEU GUARDADOR vive para sempre.
Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, de um texto de Charles Simeon, em domínio público.
O Lavrador Discreto
“Isa 28:23 Inclinai os ouvidos e ouvi a minha voz; atendei bem e ouvi o meu discurso.
Isa 28:24 Porventura, lavra todo dia o lavrador, para semear? Ou todo dia sulca a sua terra e a esterroa?
Isa 28:25 Porventura, quando já tem nivelado a superfície, não lhe espalha o endro, não semeia o cominho, não lança nela o trigo em leiras, ou cevada, no devido lugar, ou a espelta, na margem?
Isa 28:26 Pois o seu Deus assim o instrui devidamente e o ensina.
Isa 28:27 Porque o endro não se trilha com instrumento de trilhar, nem sobre o cominho se passa roda de carro; mas com vara se sacode o endro, e o cominho, com pau.
Isa 28:28 Acaso, é esmiuçado o cereal? Não; o lavrador nem sempre o está debulhando, nem sempre está fazendo passar por cima dele a roda do seu carro e os seus cavalos.
Isa 28:29 Também isso procede do Senhor dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria.”
O alvo dessas palavras é confortar os filhos de Deus nas suas aflições, e porque quando se está sob tais cruzes dolorosas, quando se está triste, enfraquecido, oprimido pela dor, então ficamos incapazes de receber instrução, a angústia do sofrimento destrói a nossa atenção, por isso, ele diz, por quatro vezes em sequência: "Inclinai os ouvidos", “ouvi a minha voz”, "atendei bem” e “ouvi o meu discurso”, de onde se subentende: “preste muita atenção no que vou falar”.
Como se ele desejasse dizer: “Vocês devem ouvir por causa do mundo, da carne e do diabo e seus instrumentos, que têm levado você a se desviar; mas se você deseja ter paz e consolo, você deve ouvir esta palavra de Deus, porque esta é a sua voz, aquele que lhe ama e quer o seu bem, e que faz bem todas as coisas.
Então ele vem para consolo, de modo que ninguém se perdesse por causa das aflições de Deus. Isso ele demonstrou por uma comparação a partir de um agricultor, que quando tem semeado, nem sempre ara a terra, mas dará ao solo suficiente cultivo e adubação; e que semeará, cada semente na forma e medida adequada no tempo apropriado. E então ele demonstrou que, quando Deus deu esta discrição aos lavradores, muito mais isto abunda nele, a quem em João 15.1 é chamado de agricultor; sim, ele é o melhor agricultor que conhece os tempos e as estações, quando deve começar e concluir o seu trabalho.
Então Deus é o mais sábio lavrador, que sabe quando e quanto deve nos afligir; quando começar e quando dar um fim à aflição, quando semear e como fazer frutificar.
Ele mostrou então o cuidado diferenciado do lavrador para com os diversos tipos de sementes, dando-lhes o tratamento correto especifico para cada uma delas, para não magoá-las com uma pressão além daquela que podem suportar, de modo a não ser perdido o seu trabalho.
Agora, ele conclui por este critério de sabedoria do agricultor, em favor do Senhor dos Exércitos, que é grande em sabedoria e maravilhoso em conselho.
Das palavras “Inclinai os ouvidos e ouvi a minha voz; atendei bem e ouvi o meu discurso.” Subentende-se que a única maneira de se achar calma e paz para os nossos corações em todas as angústias, é ouvir o que Deus diz.
Quando ouvimos a Deus não nos preocupamos mais do que precisamos nos preocupar, e não ficamos ansiosos por cousa alguma, conforme Ele nos tem ordenado.
Primeiro, porque a Palavra de Deus vai produzir a fé, que purifica o coração, vence o mundo, e apaga todos os dardos inflamados de Satanás.
Em segundo lugar, isto ensinará sabedoria à pessoa, para discernir de onde e por que a aflição lhe vem, e que lutar com Deus é em vão, e que ao fazê-lo, teremos o pior. A maior dor de nossas cruzes vem de paixões e fraquezas; porque se não colocarmos em nós mais cruzes do que as que Deus nos designa, tudo irá bem, mas se nos colocamos em outras coisas, a nossa própria impaciência, falsos temores, preocupações, e mentalidade carnal, farão com que esta boa purificação da providência do nosso Pai celestial, seja muito amarga e pesada para nós. Devemos lutar por todos os meios contra isto, e fazer um bom uso da aflição, conforme Deus deseja que o façamos.
Em terceiro lugar, isto será uma forma de trabalhar a paciência no coração. Todas as Escrituras são escritas para trabalhar a paciência em nós, pois Deus deseja que sejamos submissos, mas nossos corações orgulhosos dificilmente podem ser conduzidos à submissão (mansidão e obediência).
Este é o grande objetivo em tudo.
Em quarto lugar, se ouvirmos a Deus, isso nos fará ir a Deus e orar; e a oração trará conforto e facilidade para o coração se submeter, mas se ouvirmos a carne, mais nos afastaremos deste caminho e mergulharemos na miséria.
Deus , você sabe, nos convida a vir a ele , e diz: “Espere um pouco, e tudo estará bem”, ele virá voando com libertação quando for chegada a hora.
Assim, se alguém orar e esperar, terá o seu coração guardado rapidamente. O que diz o apóstolo sobre isto?
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” (Fp 4.6,7).
NOTA: Este texto é uma releitura feita pelo Pr Silvio Dutra, com a tradução do original em inglês, da parte inicial de um sermão, em domínio público, de autoria de Richard Sibbes.
De Sibbes é dito que tinha o céu estampado em sua face, e que antes de ter ido para o céu ele trouxe o céu à terra em sua própria vida. Assim, ao fazer esta releitura estamos procurando dar honra a quem é devido honra segundo a norma bíblica.
5 - “Eterna consolação". (2 Tes 2.16)
"Consolação." Há música na palavra: como a harpa de Davi, ela expulsa o espírito maligno de melancolia.
Foi uma honra distintiva para Barnabé ser chamado de "filho da consolação", ou melhor, é um dos nome mais ilustre do que Barnabé, pois o Senhor Jesus é "a consolação de Israel”. "Eterna consolação "- aqui está a nata de tudo, porque a eternidade de consolo é a coroa e a glória disto.
O que é esta "eterna consolação"? Ela inclui um senso de pecado perdoado. O cristão recebeu em seu coração o testemunho do Espírito de que suas iniquidades são afastadas como uma nuvem, e as suas transgressões, como uma nuvem espessa. Ser o pecado perdoado, não é uma eterna consolação?
Em seguida, o Senhor dá ao seu povo um sentimento permanente de aceitação em Cristo. O cristão sabe que Deus olha para ele como estando em união com Jesus. União com o Senhor ressuscitado é um consolo da ordem mais permanente; isto é, de fato, eterno.
Deixe que a doença nos prostre, não temos vimos centenas de crentes tão felizes na fraqueza da doença, quanto eles teriam sido em pleno vigor?
Deixe que os dardos da morte nos perfurem o coração, nosso consolo não morre, porque não têm os nossos ouvidos ficado frequentemente cheios com as canções que ouvimos de santos que foram alegrados por causa do amor vivo de Deus que foi derramado em seus corações em seus momentos finais? Sim, um sentimento de aceitação no Amado é uma eterna consolação.
Além disso, o cristão tem a convicção de sua segurança. Deus prometeu salvar aqueles que confiam em Cristo, o cristão confia em Cristo, e ele crê que Deus será tão bom como sua Palavra, e irá salvá-lo. Ele sente que está salvo em virtude de sua união com a pessoa e a obra de Jesus.
Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.
Consolo para os Desesperados
Tradução, adaptação e redução do sermão de nº 1146 de Charles Haddon Spurgeon, elaboradas pelo Pr Silvio Dutra.
"Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro." (Salmo 31.22)
Desejo falar neste momento com aqueles que estão muito deprimidos em espírito, os filhos do desânimo e as filhas do luto que habitam nos confins sombrios do desespero. Isto pode parecer censurável que numa tão grande audiência eu dirija o meu discurso a uma classe comparativamente pequena, mas eu devo deixar isto à compaixão de vocês para que me desculpem. Não, eu acho que eu preciso fazer isso, mas devo apresentar o meu pedido de desculpas em razão da natureza da minha vocação. Quando o pastor vem no início da manhã ao seu rebanho, não deve ter os olhos fixados apenas no doente, e ele precisa ser perdoado, se, por um tempo, ele dedica toda a sua habilidade e seu cuidado às ovelhas que precisam disto?
O cuidado do pastor para com todos do rebanho, é provado pelo seu interesse especial nos casos particulares que mais requeiram a sua ternura.
Eu sinto profundamente pelos que choram em Sião, e peço ao Senhor para operar pela Sua Palavra, através do meu ministério, para ser como o óleo de alegria para eles. Certamente podemos esperar a ajuda divina do Espírito Santo em nosso esforço para consolá-los, porque o ofício especial do Espírito Santo, sob a presente dispensação é o de ser "o Consolador", que permanecerá conosco para sempre. Enquanto nós trazemos o azeite e o vinho do Espírito, podemos esperar que Ele irá derramá-lo nas feridas dos aflitos, pois este é seu ofício e seria blasfêmia imaginar que Ele irá negligenciá-lo. Ele conforta eficazmente de forma todo-suficiente e onipotente.
É nosso dever sagrado o de simpatizar com aqueles que estão sofrendo e falar com eles para o seu bem.
I. Note que há implícita no texto uma profunda e amarga tristeza interior. O homem que escreveu o versículo diante de nós estava triste em seu coração. Há muitas pessoas na mesma condição neste momento. Suas almas desmaiam com pesos e suas vidas são um fardo. Como eles vieram a ficar assim? Na verdade, existem muitas causas para a melancolia. Alguns têm o seu espírito constitucionalmente deprimido - sua música nunca pode alcançar as notas mais altas até que eles sejam ensinados a cantar o novo cântico em outro mundo. As janelas de sua casa são muito estreitas e não abrem para Jerusalém, mas em direção ao deserto. Algo está errado com sua estrutura corporal - as cordas se afrouxaram, e não podem sustentar o mastro - e o barco navega terrivelmente. Quando há um vazamento no barco, não é de se admirar que as águas venham até a alma.
Com os outros entristecidos a depressão começou através de uma grande prova. Como já ouvimos falar de alguns que seu cabelo ficou cinza em uma única noite por causa do sofrimento, e assim, sem dúvida, muitas almas entram em tristeza numa única hora de tentação. Um golpe feriu caule do lírio e o fez murchar. Um toque de uma mão rude quebrou o vaso de cristal. Dias de sol ficaram sombreados no meio dos mais brilhantes dias de verão e uma manhã de alegria tem sido seguida por uma noite de lamentação. Em alguns casos, Deus sabe quantos pecados secretos, não confessados ao Pai, têm gerado miséria. Pode ter havido presunção arbitrária, ou orgulho de coração, ou descontentamento, ou rebelião interior contra a vontade de Deus. Pode ter havido negligência voluntária dos meios da graça, ou desprezo do valor da comunhão e alegria do Espírito Santo, e, portanto, o Senhor pode ter se escondido por um tempo em repreensão.
Ou pode ser que tenha havido uma gradual preocupação do espírito com vexações menores, longas, contínuas e cansativas, que têm abatido o coração, como o gotejamento constante que desgasta as pedras. Oposição incessante ou ser negligenciado por aqueles que amamos pode, enfim, fazer com que o espírito se renda. E quando isso acontece, a vida se torna uma escravidão. "O espírito de um homem o sustentará em sua enfermidade, mas o espírito abatido quem o pode suportar?" Eu também tenho conhecido um ministério imprudente que adiciona dores ao entristecido. Um ministério legalista vai fazer com que fique assim e, também, aqueles que ensinam que os homens devem olhar para o interior de si mesmos para acharem conforto - e criam uma experiência uniforme como o padrão para todo o povo de Deus.
As causas são diversas, mas o caso é sempre doloroso. Ó vocês que estão andando na luz, lidem cuidadosamente com seus irmãos e irmãs, cujos ossos estão quebrados, porque vocês também podem sofrer o mesmo! Disponham-se para consolar os enlutados do Senhor. Eles não são uma boa companhia e eles são muito aptos a torná-lo infeliz, bem como a si mesmos, mas por tudo isso, seja muito sensível em relação a eles, pois o Senhor Jesus tem agido assim com vocês. Lembre-se que Ezequiel pronuncia ais sobre o forte que rudemente empurra o mais fraco. Deus é muito zeloso de seus filhos pequenos, e se os membros mais vigorosos da família não são gentis com eles, Ele pode tirar a sua força e fazê-los, até mesmo, vir a invejar os mais pequenos, que uma vez eles desprezaram.
Vocês nunca errarão por serem sensíveis ao abatido. Disponham-se tanto quanto estiver em vocês a curar os quebrantados de coração e alegrar os fracos e vocês serão abençoados.
Se um homem é cristão, é muito natural que seus problemas assumam uma forma espiritual. As únicas sombras que podem efetivamente escurecer seu dia são aquelas que surgem de coisas sagradas. Os medos que lhe assombram não são os temores sobre seu pão de cada dia, mas os temores sobre o Pão da Vida e os temores quanto à sua entrada no Reino Eterno. A doença, pelo lado físico, é, no fundo, provavelmente, o mesmo tanto no cristão quanto no ímpio, mas, como seus principais pensamentos estão nas coisas divinas, você, em sua depressão, naturalmente se ocupa mais com os assuntos da sua alma.
Nessas ocasiões os espiritualmente aflitos estão cheios de apreensões horríveis. Agora, deixe-me perguntar-lhe, qual é a mais horrível apreensão que um cristão pode ter? Não será a do texto: "Estou cortado de diante dos teus olhos"? Nada aflige um cristão tanto quanto o medo de ser um náufrago de Deus. Você não deve encontrar qualquer cristão verdadeiro, em desespero, porque ele está se tornando pobre. Você não deve encontrá-lo prostrado porque os confortos mundanos lhe são retirados. Mas deixe seu Senhor esconder seu rosto e ele fica preocupado. Deixe-o duvidar de sua filiação e ele fica sobrecarregado. Deixe-o questionar seu interesse em Cristo e sua alegria foge. Deixe-o temer que a vida de Deus nunca esteve em sua alma e você o ouvirá lamentando como uma pomba.
Como ele pode viver sem o seu Deus? No entanto, essa tristeza amarga tem sido suportada não por poucos dos melhores homens. Se pode ser dito que apenas aqueles cristãos que andam distantes de Cristo, ou aqueles que são inconsistentes na vida, ou aqueles que pouco oram que se sentem dessa forma, então, de fato, não haveria motivo para uma maior inquietação. Mas é um fato patente que alguns dos espíritos escolhidos entre os eleitos do Senhor passaram pelo Vale da Humilhação e até mesmo peregrinaram juntos ali por meses. Os santos que estão agora entre os mais brilhantes no céu, tinham, em seus dias, se sentado chorando às portas do desespero e pedindo as migalhas que os cachorrinhos comem debaixo da mesa do Mestre.
Leia sobre a vida de Martinho Lutero. Você poderia supor, a partir do que é comumente conhecido do reformador corajoso, que ele era um homem de ferro, inamovível e invulnerável. Assim, ele foi quando teve que lutar as batalhas de seu Mestre contra Roma. Mas em casa, em sua cama, e em seu quarto silencioso, ele era frequentemente objeto de lutas espirituais - como poucos já conheceram! Ele tinha tanta alegria em crer que, às vezes, ele era levado a uma grande exultação. Mas, em outras ocasiões ele afundava em profundezas e era difícil colocar isto acima de tudo. E isso aconteceu, também, mesmo em seus últimos momentos, de modo que a pior batalha de sua vida foi travada em cima desse país misterioso que se estende em direção aos portões da Cidade Celestial.
Não condene a si mesma, minha querida irmã. Não se afaste para longe, meu querido irmão, porque a sua fé suporta muitas lutas. O próprio Davi disse isto em sua pressa: "Estou cortado de diante dos teus olhos", ainda que Davi se sentasse no coro abençoado no céu! E mesmo aqui na terra ele era um homem segundo o coração de Deus. Há grandes benefícios para sair destas tentações e depressões severas. Há uma necessidade de que estejamos por um período em tribulações. Você não pode fazer grandes soldados sem guerra, ou treinar marinheiros hábeis em terra. Torna-se necessário que se um homem deve se tornar um grande crente, ele deve ser muito tentado. Se ele deve ser um grande ajudador de outros, ele deve passar pelas tentações dos outros. Se ele deve ser muito instruído nas coisas do Reino, ele deve aprender pela experiência.
O diamante que não é lapidado tem pouco brilho. O milho que não foi moído não alimenta ninguém por isso o professor não tentado é de pequena utilidade prática. Muitos têm um caminho relativamente suave ao longo da vida, mas a sua posição na Igreja, não é aquilo que o crente experiente ocupa, nem eles poderiam fazer seu trabalho entre os aflitos. O homem que é muito trabalhado e muitas vezes perturbado pode agradecer a Deus se o resultado é uma colheita maior para o louvor e glória de Deus por Jesus Cristo. O tempo deve ir com você, cujos rostos são cobertos com tristeza, quando vocês bendizerem a Deus por suas tristezas! Virá o dia em que você será confirmado por meio de suas perdas e cruzes, seus problemas e suas aflições, considerando felizes os que sofreram.
II. Eu não falarei mais nada sobre esse sofrimento interior, um punhado de ervas amargas é suficiente. Vou agora passar para a expressão irrefletida do salmista de coração dolorido: "Eu disse na minha pressa.". Temos nos salmos outras situações em que Davi falou apressadamente. Ele teria feito melhor em ter mordido a língua. Podemos dizer, num dado momento, palavras que daríamos ao mundo para recordar. Oh, se alguns discursos irrefletidos pudessem não serem ditos! O preço seria muito caro para retirar o que disseram - indelicadezas, provocações, coisas cortantes para os homens - e os incrédulos, irritáveis, petulantes, palavras injuriosas para Deus. Melhor contar até 10 antes de falar, quando estamos em um estado de agitação da mente.
É um pecado comum para as pessoas cujos corações estão em cativeiro permitir às suas línguas demasiada liberdade. Davi disse: "Estou cortado de diante dos teus olhos." E muitos não têm somente dito isso na pressa, mas continuaram a repeti-lo por um longo tempo, o que é muito pior. Alguns falaram desta forma por meses a fio, sim, e até mesmo alguns anos! Triste é que eles tenham feito isso, mas assim tem sido. Agora esse discurso irrefletido repousa totalmente em fundamentos suficientes. Por que um homem em desespero diz que Deus o lançou fora? Ele argumenta, em primeiro lugar, que as circunstâncias o demonstram. Ele está cercado com muita dificuldade e tribulação e, portanto, ele infere que Deus está zangado com ele.
Mas há alguma força nesse argumento? Você pode muito bem dizer que Deus havia rejeitado o seu próprio Filho amado quando Ele permitiu que Ele dissesse: "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça." Você pode muito bem dizer que Deus tinha lançado fora os mártires quando Ele deixou que ficassem na prisão, ou por terem sofrido sendo queimados. Muitos dos mais queridos filhos do Senhor têm uma dura passagem para a Glória. Apesar de tudo, suas circunstâncias não são tão ruins como as de homens muito melhores. Seria muito injusto argumentar que você é, portanto, um náufrago. Isto não está escrito: "no mundo tereis aflições"? Vocês não sabem que a aflição é uma bênção da Aliança? Portanto, nenhum argumento derivado de circunstâncias vale a pena ser ouvido.
Mas outros argumentam com base nos seus sentimentos. Eles se sentem como se Deus lhes tivesse lançado fora. Pode haver algo mais incerto do que argumentar a partir dos nossos sentimentos? Eu poderia estar certo de que estou salvo para o céu hoje se eu julgasse por meus sentimentos. Amanhã pode ser tão certo que eu seria um réprobo, se eu julgasse pela mesma regra. Julgado por sentimentos mutáveis, alguém pode ser perdido e ser salvo uma dúzia de vezes por dia! O vento não mudará a sua direção mais periodicamente do que o estado atual de nossas emoções. Você não sabe que muitas pessoas que estão cheias de sentimentos de autoconfiança estão, no entanto, iludidas e enganadas? "Paz, paz, onde não há paz" é um grito muito comum. Essas pessoas se julgam por sentimentos, e consideram que são salvos para o Céu, mas suas vidas mostram o contrário. E, por outro lado, outros que se julgam sobreviventes, são verdadeiros cristãos.
Aplique estes fatos a seu próprio caso. Os sentimentos são um indicador muito incerto e errôneo, e não devem ser invocados. E para construir uma inferência tão terrível como a de se estar perdido em alguns sentimentos sombrios, ou mesmo num grande número deles, é absurdo até o último grau!
Encontrei certo dia, uma pessoa que insiste em que ela cometeu o pecado imperdoável. Agora, eu conheço tanto as Escrituras quanto tal pessoa, e, no entanto, sobre o assunto do pecado imperdoável ele está plenamente informado e estou no escuro. Eu posso provar que, de acordo com as Escrituras, meu amigo desanimado não cometeu o pecado imperdoável. Mas ele sabe que cometeu e está tão certo disso como se ele pudesse prová-lo racionalmente. Ele se preocupa pouco com a prova bíblica, mas ele sempre diz repetidamente que ele sabe, e está muito certo, e ninguém jamais o convencerá do contrário. Você pode muito bem argumentar com uma garrafa de vinagre, na esperança de transformá-la em vinho.
Agora, deixe-nos dizer que a declaração de que Deus nos abandonou, ou abandonou qualquer homem que o procura, é diametralmente oposta às Escrituras. Não há, em todas as páginas da Inspiração, um único texto que aconselhe qualquer homem a se desesperar quanto à misericórdia de Deus. Eu desafio o leitor mais diligente para encontrar uma única passagem bíblica em que qualquer alma que buscou crer, que não tenha havido misericórdia para ele. Vou até mais longe e digo que não há uma só passagem da Escritura que autorize qualquer pessoa a ficar em desespero, não importa que possa ser uma forte passagem sobre eleição, ou uma terrível ameaça da ira divina contra o pecado! Não há nenhum texto, que autorize uma alma a dizer que não há misericórdia em Deus para ela.
Mais do que isso, não há um texto na Bíblia que dê uma justificativa para qualquer homem ficar em desespero. Se Deus fosse aparecer e dizer ao desesperado: "Você se atreveu a duvidar da minha misericórdia, e se declarou estar finalmente perdido – traga-me uma só palavra do meu livro que possa servir de desculpa por ter dito isto" – um texto assim não poderia ser trazido. Na verdade, toda a Escritura condena a incredulidade. A fé é a Graça que a Escritura louva – e a fé nunca exorta os homens ao desespero. Ela está cheia de promessas para os maiores pecadores. Ela chega ao maior extremo da nossa necessidade e clama em amor generoso, "Ele é capaz de salvar perfeitamente os que vêm a Deus por ele." O Senhor Jesus declara: "Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora."
"Oh, mas ainda assim eu sei que não há nenhuma esperança para mim." Meu caro amigo, você não conhece nada sobre isto! Pensar desta maneira é um pesadelo horrível e não há verdade nele. Esta abençoada Escritura soa da cruz para você, como a música doce: "Vinde a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." Enquanto você respirar, a luz bendita da Graça ainda queima para iluminar a sua alegria! "O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado." E lembre-se, meu amigo desesperado, que a sua crença de que Deus o lançou fora é muito depreciativa para o próprio Deus. Você sabe o quanto Ele é misericordioso? Você vai pensar duramente dEle? Será que Ele não salva Manassés? Será que Ele não apaga os pecados de Saulo de Tarso?
Será que Ele não declarou: "Por minha vida, diz o Senhor, não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim, que ele se converta a mim e viva"? Você vai pegar a caneta da mão da Misericórdia e escrever a sua própria sentença de morte com ela? Por ser tão imprudente, você vai desonrar a Deus, em vez de receber a salvação através de Jesus Cristo? Por que você insensatamente cede ao desespero? Você não sabe o quanto você entristece o Espírito de Deus, e quanto, infelizmente, você desonra a Jesus? Nenhuma de todas as dores que Ele carregou sobre Si no Calvário daquele jeito pode ser comparada ao pensamento cruel e mesquinho que ele não está disposto a perdoar.
III. Em terceiro lugar consideremos o tópico interessante do clamor suplicante. Quando Davi temeu que ele fosse cortado de Deus, ele foi sábio o suficiente para clamar. Ele orou e clamou com uma palavra muito significativa. O choro é a linguagem da dor, a dor não pode ser obstruída com letras e sílabas e palavras. O choro traz grande alívio ao sofrimento.
Os olhos vermelhos muitas vezes aliviam corações quebrados. A loucura tem sido prevenida por se encontrar respiro para a alma. A oração é o sopro mais seguro e mais abençoado para a alma. Na oração o coração flui, como os olhos quando choram. Orar é tão simples como chorar. Eu não me lembro de ter visto na minha vida uma fórmula de chorar para uma mulher enlutada, uma fórmula para um bebê quando chora por estar com fome, e outra para uma criança chorar quando ela é colocada num lugar escuro.
Não, não! As fórmulas estão fora de questão quando choramos. Os homens e as mulheres e crianças, quando em apuros - clamam sem um livro. E assim, quando um homem realmente precisa do Salvador, ele não necessita de uma fórmula ou de um livro de orações. Nunca diga: "Oh, eu não posso orar!" Meu caro amigo, você pode chorar? Você precisa ser salvo - diga isto ao Senhor. Se você não pode dizer isso em palavras, diga com suas lágrimas, seus gemidos, seus suspiros, seus soluços.
Nenhuma criança precisa ser educada em grego e latim, a fim de saber como chorar. Nem é o aprendizado necessário para a oração eficaz. Deus ensina a todos os seus pequeninos a orarem assim que eles nascem de novo do Espírito. Nenhuma criança deixa de chorar porque está escuro. E você está no escuridão e em terrível dúvida e dificuldade? Então chore alto, meu caro amigo, chore alto, chore alto! Seu Pai vai ouvir e livrá-lo!
Há uma corda na natureza humana que responde ao choro de uma criança e há algo na natureza divina, que é igualmente tocado pela oração.
Davi pensou que o Senhor o tinha expulsado, e ele não clamou a ninguém mais. Ele achava que se Deus não o ajudasse, ninguém mais poderia. É importante observar que ele clamou ao Senhor, mesmo que ele se achasse cortado da esperança. "Estou cortado de diante dos teus olhos", ele disse, mas clamou a Deus!
Quanto maior for o desespero da alma, mais você deve orar e, então tudo estará bem com você. O salmista clamou a Deus a respeito de quem ele havia entretido incrédulos pensamentos. Clame você também, você que pensa que tem sido reprovado por Deus. Sua fé, se você tiver alguma, é como uma faísca latente num pavio que fumega. No entanto, ore! Eu estava prestes a dizer, quando sua fé parece morta, clame, "Senhor permita-me acreditar. Eu sou um pobre, morto, perdido, arruinado, pecador, mas tenha piedade de minha miséria."
IV. Este é o meu último ponto, o resultado alegre. Esta pobre alma em desespero continuava a clamar e o Senhor o ouviu. "Você ouviu a voz da minha súplica, quando clamei a ti." Esta bênção foi além da promessa. A promessa é que Deus ouve a oração da fé, mas o Senhor em misericórdia vai além de suas promessas, tal é a Soberania Infinita da Sua graça que Ele atende, ainda, aos incrédulos, e quando eles estão clamando em sua incredulidade Ele lhes dá fé e salva suas almas.
Agora, se isso não é garantido na promessa, todavia a ação é bastante coerente com o caráter divino. Na verdade, é como o Deus cujo nome é Amor por ouvir os clamores dos miseráveis! Somos como crianças perdidas na floresta, todas arranhadas pelos espinhos, cansadas de estarem perdidas e prestes a morrer de fome e frio. Tudo o que podemos fazer é chorar e Deus vai nos deixar morrer no escuro? Ah, não acredito! Não deixe o diabo te fazer acreditar, que Deus vai te ouvir chorar e ainda não enviará a tua ajuda! Eu nunca vou acreditar de Deus, o que eu não acreditaria do homem! Eu não posso desonrá-lo assim!
Deus lhe ensinou a chorar e Ele vai certamente responder às suas orações.
Não há honra para Cristo em lavar os pecadores que têm apenas algumas manchas claras sobre eles, isto se existem tais pessoas. Mas, ó tu, sujo e completamente poluído pecador, sua lavagem e limpeza irá trazer renome imortal a Ele!
Você não percebe que a maldade do seu caso, lhe dá uma oportunidade gloriosa para glorificar a Cristo por uma fé maior do que a dos outros homens.
Se você está nas trevas, a única luz para você é o Sol da Justiça. Se você está perdido, a única ajuda para você está em Jesus, o Senhor. Se você deseja ver o Salvador, onde a Sua luz é mais brilhante e mais clara e a Sua salvação, pense na Sua cruz! Olhe para aquelas queridas mãos e pés, e o seu lado sangrando com aqueles ferimentos que são janelas de esperança para os prisioneiros do desespero!
Não há esperança para você, quem quer que você seja, exceto em Jesus! Olhe para a Sua cabeça coroada de espinhos e Seu rosto mais transfigurado do que o de qualquer homem! Olhe para seu corpo emagrecido, e o corte da lança no seu lado! Olhe para Ele na agonia da morte, com vergonha e desprezo sobre Ele! Olhe até você ouvi-lo clamar: "Está consumado!" antes que Ele renda o espírito - e eu oro para que você creia que está consumado, de modo que não há nada para você fazer, uma vez que tudo está feito. Tudo o que é necessário para torná-lo agradável a Deus está plenamente realizado, não há nada para você fazer, mas para aceitar o que Cristo consumou.
Venha, você desesperado! O Senhor lhe ajude a vir e a encontrar a paz, nesta hora, por meio de Jesus Cristo seu Senhor. Amém.
Porção das Escrituras lida antes do sermão - Salmo 31.
A Minha Consolação na Aflição
Partes de um sermão de Charles Haddon Spurgeon, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.
"O que me consola na minha aflição é isto: que a Tua Palavra me vivifica." (Salmo 119.50)
É quase desnecessário dizer que, em alguns aspectos, os mesmos eventos acontecem a todos os homens igualmente - em matéria de aflições isto é certamente assim. Nenhum de nós pode esperar escapar da tribulação. Se você é ímpio, "muitas dores virão para os ímpios." Se você é piedoso, "muitas são as aflições do justo." Se você andar nos caminhos da santidade, você encontrará obstáculos lançados no caminho pelo inimigo. Se você andar nos caminhos da injustiça, você será apanhado em armadilhas e segurado lá até a morte. Não há como escapar de problemas! Nós nascemos para isso, como as faíscas voam para cima.
Quando nascemos de novo do Espírito, nós herdamos inúmeras misericórdias, porém temos certamente nascido para um outro conjunto de problemas, porque entraremos em tribulações espirituais, conflitos espirituais, dores espirituais e assim por diante, e, portanto, temos um conjunto duplo de angústias, bem como de mercês duplas.
Quem escreveu este Salmo 119 era um bom homem, mas certamente era um homem aflito. Muitas vezes Davi teve tristeza e muita tristeza. O homem segundo o coração de Deus foi um dos que sentiu a mão do próprio Deus em castigo. Davi era um rei e, por isso, seria tolice de nossa parte supor que os homens que são mais ricos e superiores a nós, são mais blindados para a aflição – mas muito ao contrário. Quanto mais no alto da montanha, mais turbulentos os ventos.
Grandeza, proeminência, popularidade, nobreza, realeza não trazem alívio de tribulações, mas sim um aumento das mesmas.
Filho de Deus, lembre-se que nem bondade nem grandeza pode livrá-lo da aflição! Você tem que enfrentá-la, qualquer que seja sua posição na vida, portanto, enfrente-a com coragem destemida e extraia uma vitória dela.
No entanto, mesmo se você enfrentá-la, você não vai escapar dela. Mesmo se você clamar a Deus para ajudá-lo, ele irá ajudá-lo através do problema, mas Ele provavelmente não vai afastá-lo de você. Ele te livrará do mal, mas ainda pode levá-lo à provação. Ele prometeu que vai livrá-lo em seis problemas e que em sete não haverá nenhum toque do mal em você, mas Ele não promete que seis ou sete provações devem ser mantidas longe de você. Um semelhante ao Filho de Deus estava com os três amigos de Daniel, mas não para extinguir o fogo da fornalha, ou para impedir de serem lançados nela." Eu estou com você, Israel, ao passar pelo fogo", pode muito bem descrever a garantia da Aliança.
Que possamos experimentar o fogo se só assim podemos perceber a Presença Divina! Alegremente podemos aceitar o forno se podemos encontrar a companhia do Filho de Deus com a gente lá.
"Eu vi o quão feliz você estava, caro amigo, quando se encontrava em apuros. Eu te vi doente em outro dia e notei a sua paciência. Eu sabia que você foi caluniado e eu vi como você estava calmo. Você pode me dizer por que estava tão calmo e controlado?" É uma coisa muito venturosa se o cristão pode responder a essa pergunta totalmente. Eu gostaria de vê-lo pronto para dar uma razão para a esperança que está nele com mansidão e temor, dizendo: "Esta é a minha consolação na minha angústia." Eu quero que você, se você tem experimentado o conforto de Deus, que você possa passá-lo para um amigo! Que você possa dizer aos outros o que é, para que eles possam provar a consolação com que Deus o consolou. Esteja pronto para explicar aos jovens iniciantes - "Esta é a minha consolação na minha angústia."
Esse conforto vem de uma FONTE PECULIAR "Este é o meu conforto, porque a Tua Palavra me vivifica." O conforto, então, é em parte externo, vem da Palavra de Deus, mas é, principalmente, e eminentemente interior, pois é a Palavra de Deus a experiência necessária como o seu poder de vivificação dentro da alma.
Se é a Palavra de Deus que conforta, por que procurar em outro lugar em busca de consolo, senão na Palavra de Deus?
Todas as cisternas secam - somente a fonte permanece. Da próxima vez que você estiver com problemas, chegue até a Bíblia. Diga para a sua alma: "Alma, aquieta-te e ouça o que Deus, o Senhor vai falar, pois Ele falará de paz ao seu povo."
Agora para a parte interna da sua consolação. "Esta é a minha consolação na minha aflição, porque a Tua Palavra me vivifica." Oh, não é a letra, mas o Espírito Santo, que é o nosso verdadeiro conforto! Nós não olhamos para esse livro, que consiste de tanto papel e tanta tinta, mas com o testemunho de vida dentro do livro! O Espírito Santo incorpora Si mesmo nestas palavras abençoadas de Deus e trabalha em nossos corações a fim de que sejamos vivificados pela Palavra! É isso que é o verdadeiro conforto da alma.
Irmãos e irmãs, é uma coisa muito estranha que quando Deus quer fazer uma coisa, Ele sempre faz outra. Quando Ele quer nos confortar, o que ele faz? Ele nos conforta? Sim, e não. Ele nos vivifica e assim Ele nos conforta. Às vezes, a forma indireta é o caminho em linha reta. Deus não dá o conforto que pedimos por um ato distinto, mas Ele nos vivifica e assim obtemos conforto.
Então, queridos amigos, o seu conforto e o meu é a Palavra de Deus, aplicada por Deus, o Espírito Santo, em nossos corações, vivificando-nos para um aumento da vida espiritual! Não tente fugir de suas provações. Não se preocupe sob seus cuidados. Não espere que este mundo possa trazer rosas sem espinhos. Não espere evitar a eclosão de espinhos e cardos. Peça vivificação! Peça para que a vivificação venha, não por novas revelações, nem pela excitação fanática, mas pela própria Palavra de Deus aplicada em silêncio pelo Seu próprio Espírito! Então, você deve vencer todas aos suas tribulações, superar suas dificuldades e entrar no céu cantando aleluias à mão direita do Senhor e do santo braço que lhe tem dado a vitória!
A Compaixão do Senhor, o Conforto dos Aflitos
Partes de um sermão de Charles Haddon Spurgeon, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.
"Eis que temos por bem-aventurados os que perseveraram firmes. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.” (Tiago 5.11)
Nós somos muito aptos a entreter pensamentos rígidos a respeito de Deus. O ateísmo horrível da nossa natureza terrena continuamente decaída pelo pecado, contende com o Altíssimo e, quando estamos sob Sua mão afligidora e as coisas se tornam uma cruz para a nossa vontade, o mal da nossa natureza torna-se tristemente evidente. Quando muito aflitos, estamos muito inclinados a pensar e a falar como não deveríamos, sobre o Altíssimo.
Nunca nos esqueçamos de que nossos discursos duros foram todos falsos discursos e que as nossas suspeitas de nosso Deus sempre foram calúnias sobre ele. Quando não temos pensado e falado bem do Seu nome, temos pensado e falado errado!
Ao fazermos um levantamento de toda a nossa vida, veremos que a bondade e misericórdia de Deus nos seguiram todos os nossos dias, sempre nos perseguindo, mesmo quando temos perversamente fugido delas.
Mesmo os nossos males aparentes têm sido verdadeiras bênçãos. Eu não sei se bendigo mais a Deus por minhas tristezas ou por minhas alegrias. A melhor peça de mobiliário que eu já tive na minha casa é a cruz da aflição! A adversidade é o campo mais rico em toda a fazenda da vida. Nós nunca temos feito uma maior colheita de qualquer semente, senão daquela que caiu de nossas mãos enquanto as lágrimas caíam dos nossos olhos. Quando saímos chorando, semeando a preciosa semente, temos invariavelmente voltado, mais uma vez, cheios de júbilo, trazendo os feixes conosco!
Oh Sofredor, quando sua cama endureceu sob você e sua dor foi muito grande, pode ser que seus gemidos e reclamações não foram completamente aqueles de tristeza, mas uma medida de rebelião se misturou a eles! Por isso ficou envergonhado e confundido! Confesse essas rebeliões! Reconheça que seus pensamentos duros foram todos fundados em erro e peça a graça de estar sempre em harmonia com o seu Senhor.
"O Senhor é cheio de misericórdia e compassivo." O que quer que possa ser ou não ser, o Senhor deve ser bom! Defina o seu selo para com a Verdade de Deus. Levante a cabeça e sua mão como quem pode falar bem de seu nome e dizer: "Bendirei o Senhor em todos os momentos! Seu louvor estará continuamente na minha boca!"
Que cada homem restaurado possa dizer: "Ele cura todas as minhas enfermidades". Que cada um tente agora dizer: "Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas."
Nós nada temos realmente para reclamar - até mesmo nossas decepções ainda serão causas de louvor! Oh, que o Espírito de Deus agora faça-nos sábios para evitar tais erros precipitados no futuro e nos ensine a conhecer o Senhor tão bem que possamos a partir de agora estar em paz com Ele!
Note-se que quando Tiago está nos exortando à plena confiança em Deus na hora da provação, ele nos dá uma instância instrutiva. Ele cita a história de Jó.
"Tome, meus irmãos, os profetas, que falaram em nome do Senhor, para ver um exemplo de paciência no sofrimento e na aflição... Você já ouviu falar da paciência de Jó".
Observe que, quando este apóstolo apresenta Jó é com o objetivo de apontar a misericórdia de Deus em seu caso. Ele começa dizendo: "Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram." A compaixão e a misericórdia de Deus podem ser vistas na felicidade daqueles que são chamados a sofrer.
Bem-aventurados os que são considerados dignos de sofrer por amor de Cristo.
Como pode uma vida nobre ser edificada, se não há nenhuma dificuldade para vencer, nenhum sofrimento para suportar com paciência?
Quando olhamos para o fim da aflição, quando vemos todos os seus frutos pacíficos de justiça, quando marcamos o que ela corrige e observamos o que ela produz, julgamos que não é nenhuma bênção pequena! Feliz é o homem que foi habilitado a perseverar! Ele se levanta das profundezas da miséria como uma pérola rica do mar, rica além de toda comparação. Ele ganhou mais do que perdeu, apesar de ter perdido tudo, se ele ganhou o contentamento, a conformidade com a vontade de Deus, uma experiência profunda e uma esperança mais segura.
Nós nunca chegamos tão perto da fonte de toda a consolação celestial, como quando o conforto terrestre é removido para longe.
Está escrito: "Bem-aventurado é aquele que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor." Assim você vê como a tristeza nos obriga à confiança que faz com que sejamos abençoados, porque se diz que são “bem-aventurados os que sofreram."
A tristeza santificada é uma geada afiada que mata os germes da doença espiritual. Nossas dores, como uma tempestade de granizo, rompem os brotos dos ramos do pecado, para que eles não produzam o fruto maldito de transgressão real! Quanto devemos à faca que corta o cancro e a gangrena!
Vamos bendizer a Deus porque, embora, antes estivéssemos afligidos, mas agora, pelos processos de santificação de Sua providência e da graça, nós aprendemos a guardar a Sua Palavra!
Além disso, a aflição é enviada com vistas à Graça. Nossas graças repousam adormecidas dentro de nós, como soldados adormecidos até que a aflição bata o tambor terrível e as desperte.
Você considera-se rico, mas no fogo o seu ouro é provado. Você acha que sua casa é bem construída, mas as chamas revelam a madeira, o feno e a palha. Portanto, bem-aventurados os que sofrem porque eles são menos propensos a ser enganados. Deus seja louvado pela descoberta de nossas graças, porque assim a aflição torna-se uma bênção sem disfarce.
Amados, vocês não devem esquecer que "o fim do Senhor" ao enviar a provação ao seu povo é sempre o de dar-lhes maior felicidade como o resultado da mesma.
Ele irá restaurar a sua alma, mesmo nesta vida e dar-lhe alegria e descanso de sua tristeza!
Quanto à vida futura, os sofrimentos do tempo presente são, no máximo, uma mera picada de alfinete, ao contrastá-los com a alegria eterna! O que devemos pensar desses inconvenientes temporários quando alcançarmos a felicidade eterna?
A Busca de Consolação
Todas as pessoas buscam naturalmente por consolação.
Consequentemente, a melhor e mais útil parte da psicologia consiste na prescrição de meios para confortar e apoiar as suas mentes contra coisas nocivas e dolorosas para a sua natureza, com as tristezas que resultam disso.
Assim, não há qualquer coisa mais útil neste mundo que descobrir qualquer consideração racional que possa acalmar as tristezas ou aliviar as mentes dos que estão desconsolados, porque as coisas que são realmente dolorosas para a maioria do gênero humano excedem toda real satisfação que este mundo possa proporcionar.
Mas quais são as fontes da consolação racional? Qual é o tipo de refrigério que ela pode gerar para os aflitos?
E como tudo isso pode ser comparado a este privilégio dos cristãos na provisão que é trazida sobrenaturalmente a eles pelo Espírito?
Este é um alívio que nunca penetrou no coração do homem quanto a pensar nisto ou concebê-lo.
Nem pode ser entendido por alguém a não ser somente por aqueles por quem é desfrutado, porque o mundo, como testificou nosso Salvador, não conhece o Espírito e nem mesmo pode recebê-lo; e então, para os que são do mundo, este trabalho do Espírito é considerado como uma fantasia ou um sonho dos cristãos.
Mas aqueles que são participantes deste privilégio sabem em alguma medida o que eles desfrutam, embora eles não possam compreender isto em toda a sua extensão, nem avaliá-lo da maneira devida, porque como pode o coração do homem, ou nossa pobre e fraca compreensão conceber completamente este mistério glorioso do envio do Espírito Santo para ser um Consolador?
Então o que é falado deste trabalho do Espírito somente aqueles que o recebem por fé, podem ter experiência disto em seus efeitos, e ainda, se permanecerem na fé, porque sem o exercício da fé não é possível se experimentar e receber a consolação.
A consolação não é o primeiro trabalho do Espírito Santo nas almas dos homens.
A regeneração e a santificação sempre precedem a consolação.
Se os homens não são santificados primeiro pelo Espírito, eles nunca poderão ser confortados por Ele, porque esta consolação se refere principalmente aos ataques que são recebidos dos espíritos das trevas, pelo empenho na obra do evangelho.
Um Consolador Paciente, Incansável e Amoroso
Nós lemos no texto de Is 57.19 o seguinte:
"Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o Senhor, e eu o sararei.".
Este é o método do Espírito Santo ao administrar consolação.
E sem este método nenhuma alma seria refrigerada espiritualmente debaixo dos seus abatimentos, porque nós somos dados a transgressões, ainda que sob o trabalho do Espírito Santo por nós.
Mas Ele é um Consolador incansável, paciente, amoroso e perseverará até que sejamos sarados.
Somente amor e compaixão infinitos, trabalhando em paciência e longanimidade, podem continuar isto até a perfeição.
Sejamos gratos ao Espírito Santo de todo o nosso coração por um tal trabalho de amor por pecadores imperfeitos como nós.
Mas se nós não somente somos transgressores em ocasiões e tentações particulares, enquanto ficamos com nossa visão presente nublada quanto ao trabalho do Espírito Santo, mas também somos habitualmente descuidados e negligentes sobre isto, e nunca trabalhamos para ser achados numa condição adequada e satisfatória perante Deus, mas permanecemos indefinidamente em nosso mau procedimento até o ponto disto se tornar um vício e ficando endurecidos em incredulidade, com um coração ingrato e impuro, é certo que Deus não pode se agradar de uma tal condição.
Por isso somos exortados a sermos cuidadosos em não entristecer o Espírito (Ef 4.30).
Mas nisto também se comprova o amor do Espírito por nós, porque somente aqueles que nos amam ficam entristecidos com as nossas faltas.
Aqueles que não nos amam ficam simplesmente irados ou contrariados.
Um professor severo pode ser mais provocado com a falta do seu aluno do que o pai dele, mas o pai fica entristecido com isto enquanto o professor não.
Então, considerando que o Espírito Santo fica entristecido conosco porque nos ama como um pai a seu filho, nós devemos nos acautelar em não entristecê-lo, aprendendo com que amor e compaixão ele executa o Seu trabalho em nós e para nós.
Esta é a razão da promessa de Deus de consolar apenas aqueles que choram, porque são estes que se entristecem com o fato de saberem que o Espírito fica triste com os seus pecados e transgressões.
E esta nossa tristeza pelo pecado, assim como a do Espírito, comprova em certa medida que de fato também nós amamos a Deus.
E é nesta condição que a cura é prometida por Deus a nós.
Não Recusar o Consolo Disponível
Problemas os temos aqui neste mundo, de sobra.
Mas poderemos contar muito mais dias de alegria do que de amargura e de tristeza.
Importante é não rejeitarmos o consolo eficaz que Jesus deseja nos dar, conforme podemos ver no exemplo do modo como ele lidou com as irmãs de Lázaro, antes de ressuscitá-lo.
Quando Jesus chegou em Betânia, o corpo de Lázaro se encontrava sepultado há quatro dias.
Sabendo que Ele havia chegado Marta se apressou em se encontrar com Ele, antes mesmo de entrar na aldeia onde ela morava.
Ali, ainda longe da sua casa onde as pessoas estavam ainda enlutadas pela morte de seu irmão, juntamente com sua irmã Maria, teve uma breve entrevista com Jesus e lhe disse que caso Ele estivesse presente, Lázaro não teria morrido; e que sabia que tudo que Jesus pedisse a Deus Ele lhe concederia.
Diante desta afirmação de fé, que ela certamente recebeu do alto, na convicção de que Jesus faria algo extraordinário, mas não cogitou tanto a ponto de que Ele iria ressuscitar seu irmão ainda naquele dia, porque quando Jesus lhe disse que Lázaro haveria de ressuscitar, ela afirmou que sabia que isto aconteceria na ressurreição do último dia, conforme está prometido a todos os cristãos que morrem no Senhor, de terem seus corpos ressuscitados no dia do arrebatamento da Igreja.
Ela havia dito uma verdade, e Jesus comprovaria esta verdade ressuscitando Lázaro, para mostrar que Ele tem de fato o poder de trazer os corpos que morreram de novo à vida.
Assim, disse a Marta que de fato, Ele é a ressurreição e a vida, e que aquele que nEle crê, ainda que esteja morto, viverá, e que todo aquele que vive, e que creia nEle, nunca morrerá.
Em seguida perguntou a Marta se ela cria nisto.
Ela respondeu sabiamente dizendo que cria que Ele é o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo.
Com esta sua declaração ela fez uma afirmação de fé de que tudo é possível ao Senhor, porque nada é impossível para o Messias, para o Filho de Deus que deveria vir ao mundo para restaurar todas as coisas.
Jesus queria falar também separadamente com Maria, e por isso permaneceu no lugar onde se encontrava, fora da aldeia, e pediu a Marta que chamasse Maria em segredo para vir ter com Ele.
Maria se apressou em ir ter com o Senhor, mas muitos que estavam na casa pensando que ela iria para o local do túmulo de Lázaro para chorar, saíram logo depois dela para confortá-la.
Quando Maria chegou ao lugar onde Jesus estava lançou-se aos seus pés dizendo que caso ele estivesse com eles, Lázaro não teria morrido.
Ela conhecia a virtude sobrenatural que Jesus possuía para curar toda sorte de enfermidades, e fez esta límpida declaração de fé, da plena confiança que ela tinha no Seu poder.
Não é de se estranhar porque é dito que Jesus amava aquela família.
O Senhor ama de um modo especial a todos que têm esta qualidade de fé na Sua pessoa, como a que Marta e Maria haviam demonstrado, e que certamente era o mesmo tipo de fé que habitava em Lázaro.
Eles honravam a Jesus com a sua fé, e não foi por acaso que Deus escolheu aquela família para também honrar a fé deles com o milagre da ressurreição de Lázaro.
Nós vemos então o Senhor compartilhando privadamente o que faria àquelas duas gigantes da fé.
Uma grande fé será também grandemente honrada pelo Senhor.
Ele nos fará saber disto de maneira íntima falando ao recôndito dos nossos corações.
O Senhor nos separará do meio da multidão e nos consolará em particular.
Ainda que saiba que expulsará os nossos problemas para bem longe de nós, Ele primeiro nos fortalecerá e consolará, para que saibamos que tudo quanto necessitamos é da força da Sua graça.
Uma Palavra de Conforto
Que sejamos, nas mãos de Deus, instrumento de consolação, para aqueles que necessitam de conforto.
E que esta consolação não seja apenas de palavras de apoio e de conforto, mas acompanhadas pelo poder operante do Espírito Santo nas mentes e nos corações.
Não uma consolação passageira, que tal como a nuvem agora é, e de repente não mais existe, mas com a única consolação que é efetiva e duradoura, que é achada no próprio Senhor Jesus Cristo, juntamente com o testemunho das Escrituras, como vemos, por exemplo, em textos como o de Romanos 15.4:
“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.”
Veja que se diz do que foi escrito desde há muito tempo para o nosso ensino, ou seja, esta verdade não é algo novo, inventado pela imaginação dos homens.
Também se diz que tem o propósito de acharmos a paciência e a consolação destas Escrituras Sagradas, para que tenhamos esperança.
Na Bíblia encontramos tudo o que é necessário para fortalecer o coração que se encontra abatido, pois ali achamos o registro dos grandes feitos miraculosos de Deus, a revelação da Sua misericórdia e dos Seus juízos.
Quando vemos quão grande, poderoso e amoroso é o Deus que servimos, então achamos paz e descanso para as nossas mentes e corações.
No texto de II Tessalonicenses 2.16 lemos que é o próprio Deus quem nos deu uma consolação eterna e uma boa esperança, pela graça.
“Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça,” (II Tes 2.16)
Veja querido leitor que não é nenhum anjo ou homem que nos dá tal consolação e esperança, senão o próprio Deus.
É achando a Cristo, convertendo-se a Ele, e andando com Ele pela obediência aos Seus mandamentos conforme estão revelados na Bíblia, que se acha também a verdadeira consolação e esperança não somente para os momentos difíceis de nossas vidas, mas para todas as horas e para a eternidade.
Veja que o texto de II Tes 2.16 diz eterna consolação. E uma tal consolação só pode ser achada num Consolador Eterno, a saber, em Deus mesmo.
Por isso nosso Senhor Jesus Cristo, o grande e primeiro Consolador que nos foi dado por Deus Pai, enviou-nos outro Consolador depois que subiu ressuscitado ao céu, e este outro Consolador é o Espírito Santo.
Assim, os que estão se sentindo fracos e abatidos, que possam ter suas forças renovadas, fortificando-se na graça que está em nosso Senhor Jesus Cristo.
Que clamem a Deus nas horas de aflição, para que achem o conforto e a força, que procedem dEle.
É possível louvar ao Senhor e estar alegre em meio às aflições, porque o poder do Espírito Santo nos concede tal graça, para a glória e louvor de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso a tão grande bênção.
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